Reflexões e ações virtuais

"A palavra virtual traz em si uma noção de gestação, de processo, uma dinâmica de criação constante. O virtual não se opõe ao real, conforme já disse Pierre Lévy; é o que já foi semeado e está por vir, o que já existe em potência.
Este é um espaço para parir ideias e reflexões e gerar ações.
Não apenas as ações virtuais, as que ainda estão em potência, mas também ações concretas, com toda sua força, plenitude e atualidade.
As ações que aqui me interessam são especialmente as do campo da educação com o uso da tecnologia e dos estudos de ciência, tecnologia e sociedade." (George Alves)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Reflexão 5: Nativos digitais e educação

A utilização do termo nativos digitais é primeira atribuída a Marc Prensky, no artigo Digital Natives, Digital Immigrants.
As crianças e adolescentes transitam na atualidade num cenário de excesso do ciberespaço hipermoderno (termo de Gilles Lipovetsky). Trata-se de uma geração que pensa e processa a informação de uma forma completamente diferente das gerações anteriores, alfabetizados que foram na linguagem digital dos computadores, dos videogames e da Internet.
           No mencionado artigo de Prensky, o autor comenta que pesquisas realizadas pela neurobiologia sobre neuroplasticidade mostram que diferentes estímulos podem modificar estruturas cerebrais e afetar a forma como as pessoas pensam. O cérebro pode ser constantemente reorganizado, dependendo do tipo de informação que receba.
         Com o advento das mídias eletrônicas algumas mudanças ocorreram, os nativos digitais apresentam articulação de ideias de forma mais rápida com o abandono de uma lógica mais linear com começo, meio e fim,  um cérebro cheio de conexões e multitarefa e um raciocínio mais sintético e menos concentrado.
         Eles teclam num chat ao mesmo tempo em que trocam e-mails, navegam em sites, assistem televisão (com o controle remoto à mão), ouvem música num mp3 ou mp4 ou num aparelho de som e comentam o que assistem e ouvem no chat em que teclam. Quando trocam de canais com o controle remoto estão a todo instante em busca de novas imagens, de novos sons, dos mais diferentes lugares e com os mais diferentes personagens, com uma velocidade ímpar.
           Entretanto é sempre conveniente mencionar o fato de que um jovem que tem um computador pessoal e acessa a Internet é oriundo de uma classe economicamente mais privilegiada numa sociedade excludente como a brasileira. Assim mesmo, o acesso aos meios tecnológicos é, hoje, menos desigual do que a posse do equipamento.
Outro fator que precisa ser lembrado é do analfabetismo funcional e a falta de recursos culturais. Daí a relevância da educação, da inovação pedagógica e da  boa formação intelectual.
Segundo o INAF de 2007, o índice de analfabetismo funcional chega a praticamente 72% da população entre 15 e 64 anos. Este índice significa que as pessoas não conseguem fazer sentido de um texto lido (pouco importa se diretamente da tela ou lido por uma outra pessoa em voz alta). E a cultura da navegação, instituída pelo hipertexto, pode se constituir em um agravante para as dificuldades de leitura e escrita de toda uma geração de jovens, já que a facilidade de “pular” de uma página para outra é, na realidade, um convite à dispersão e um obstáculo à concentração na leitura.
Nas lan houses e cibercafés, o computador é bem interativo, explorador e inventivo e os adolescentes navegam em grupo, enquanto na escola, muitas vezes, o computador é para realizar atividades didáticas, através de manuais ou tutoriais, e onde qualquer interação não autorizada pelo professor é penalizada.

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