A crise econômica europeia do final do século XIX e início do XX foi seguida por uma nova onda de transformações e o surgimento de um novo paradigma tecnológico, ocorrendo inovações importantes na base técnica do processo produtivo e um novo padrão de desenvolvimento. Este momento foi identificado como Segunda Revolução Industrial e surgiu simultaneamente à invenção da administração científica do trabalho como resposta às dificuldades ainda existentes, naquele momento, em relação à normalização das relações de trabalho, já que havia alto índice de rotatividade e absenteísmo da mão-de-obra e uma contestação coletiva da disciplina.
O momento representou uma intensificação da divisão do trabalho com a introdução do fordismo e seu sistema de linha de montagem na indústria automobilística e o taylorismo como método científico de racionalização da produção. Esta nova realidade trouxe um aumento da produtividade devido à economia de tempo e a uma maior disciplina. A concepção ficou ainda mais distante da execução no ato de trabalho.
Este se tornou ainda mais alienado, já que o homem era obrigado a realizar gestos mecânicos através do parcelamento das tarefas. O operário foi submetido a um trabalho rotineiro, irreflexivo e repetitivo e não compreendia o sentido de sua ação. A arte cinematográfica cria, através de Charles Chaplin, uma clássica metáfora deste momento da história em Tempos modernos. Na próxima postagem veremos a clássica cena de Chaplin trabalhando na linha de produção de uma fábrica fordista e a graça genial desta cena está no fato de seu personagem se coçar, perder o ritmo na linha de montagem, se atrapalhar com uma mosca, fumar escondido no banheiro (Escondido? Também há uma câmera vigilante por lá! E um patrão indignado exigindo sua volta ao trabalho. Afinal a produção não pode atrasar!). Na sequência, Chaplin é tragado pela máquina e vai parar em suas engrenagens e em seguida surta e se rebela com o trabalho repetitivo.
Além da desqualificação do trabalho o fordismo também teve como grande preocupação elevar o trabalhador à condição de consumidor, já que a economia da época passava por uma grave crise. Tudo isso acabou alavancando o crescimento e a difusão do Estado de Bem-Estar Social, numa sociedade de crescente produção e consumo em massa.
O fordismo trouxe profundos problemas sociais, psicológicos e políticos, mas era difícil recusar as racionalizações que melhorassem a eficiência numa época de total esforço de guerra. O determinismo tecnológico acabou por consolidar a percepção da inovação como um processo incontrolável, irreversível, autônomo. Suas conseqüências, positivas ou negativas, estariam dadas.

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